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Um Pulo no Tempo

*Genkan: Aquelas tradicionais entradas para residências japonesas onde se guardam sapatos.

- - -

A ida pra escola se provou um desafio. Bakugou queria desviar do rumo, queria sair procurando Deku, mesmo que soubesse que não o encontraria tão fácil; queria ir ver tia Inko, mesmo sabendo que ela avisaria sua mãe e tudo aquilo somado à exaustão.

Todos os olhos da classe 1-A se voltaram pra porta ao ouvi-la abrir e ficaram encarando. Bakugou parecia um cadáver após todo o empenho em procurar o amigo de infância, noites mal dormidas e crises de choro. Ignorou os olhares e arrastou os pés até sua carteira costumeira, sentindo falta da presença atrás de si; não tardou para que alguém se aproximasse.

- Bakugou! - Kirishima chamou. - Você não parece muito bem, cara...

O loiro assentiu.

- Não andei dormindo direito.

Seu amigo pareceu preocupado.

- Então é verdade...? Sobre o pai do Midoriya?

Bakugou fitou-o surpreso e seus olhos viraram para trás, buscando Uraraka que se mostrava tão preocupada consigo quanto o resto da turma, então se virou de volta para Kirishima.

- É.

- Ao menos sabemos que o Midoriya ainda está vivo... não acho que o pai faria mal a ele.

O garoto explosivo cerrou a mão em punho, se segurando para não socar a cara do amigo.

- Você não o conhece. - Disse em voz sombria, surpreendendo o ruivo.

Como que prevendo uma briga, Uraraka se aproximou.

- Bakugou! Hã... eu só queria agradecer... Você parece mesmo estar se empenhando em encontrar o Deku, não é? - O garoto apenas encarou-a com olhos tristes. A castanha sorriu com um olhar tão triste quanto. - Vamos encontrá-lo.

A garota pousou a mão afetuosamente sobre o ombro de Bakugou que teve de segurar as lágrimas. Aizawa entrou na sala e mandou todos sentarem, fazendo os dois outros adolescentes se afastarem com olhares preocupados na direção do colega de classe. A aparência de seu mentor não estava muito melhor, notou ele.

As aulas seguiram até tocar o sinal de almoço; alguns alunos ficaram conversando na sala enquanto o explosivo puxava o celular, pesquisando sobre Deku para não encontrar muitas informações novas, fora o fato do professor Aizawa ter aparecido em uma conferência, na noite anterior.

Seus olhos arregalaram, pensou em pegar seus fones de ouvido e assistir ao vídeo, mas uma conversa não muito longe captou sua atenção.

- O professor Aizawa não parecia muito bem... aquela conferência deve ter sido cansativa para ele. - Tsuyu comentou.

- É verdade que ele não parecia em seus melhores dias. - Disse Tokoyami.

- E aquilo que disseram sobre o pai do Midoriya...? - O comentário de Shouji pegou Bakugou desprevenido. - Não imaginava que uma coisa dessas poderia acontecer, ainda mais com ele.

- Pobre Midoriya... deve estar com medo e confuso, sabe-se lá onde… - Tsuyu comentou com tristeza no olhar.

Não perdeu mais tempo, buscou seus fones de ouvido na mochila e iniciou o vídeo em seu celular.

- Como todos sabem, temos um aluno desaparecido. - O diretor Nedzu falou em frente aos repórteres, Aizawa e Vlad o acompanhavam.

- Seu nome é Izuku Midoriya. - Aizawa se prontificou. - Estamos ainda investigando o caso, por isso pedimos a quem tiver qualquer informação sobre seu paradeiro para entrar em contato.

- O que sabem sobre o caso, até agora? - Uma repórter perguntou.

Vlad se viu relutante.

- Midoriya foi... sequestrado pelo seu pai. - A imprensa se mostrou chocada à informação, alguns flashes de câmeras bateram ao seu redor. Vlad continuou. - Seu nome é Hisashi Midoriya, acreditamos que o tenha levado para fora do país, por isso pedimos que nos informem se os virem em qualquer parte do mundo. No momento, Hisashi se encontra foragido.

 

- Então isso não é obra de um vilão? - Um dos repórteres perguntou.

- Não. De fato, é um assunto familiar do nosso aluno, apesar de não descartar Hisashi completamente como um vilão. - Respondeu Aizawa.

- E o que a UA está fazendo sobre isso, hein?! - Um repórter se levantou exaltado. - Como podemos confiar nessa instituição para formar nossos futuros heróis se deixam um aluno ser levado assim?!

A expressão de Aizawa se tornou sombria, Vlad parecia preocupado ao seu lado. Quando Aizawa se levantou, não esperavam o que fez a seguir: dobrou seu corpo em uma longa reverência e prosseguiu em se desculpar.

- Por esse "deslize" em proteger nosso aluno... realmente sentimos muito. - Aizawa se ergueu enquanto os flashes das câmeras batiam ao seu redor. - No entanto, estamos trabalhando duro para encontrá-lo, coletando informações confidenciais de todas as partes do Japão e países vizinhos por uma pista de onde possa estar. Não vamos descansar até que esse caso esteja resolvido!

Bakugou parou o vídeo e desligou a tela do celular, respirando com dificuldade. Os alunos ainda presentes na sala olharam-no preocupados enquanto se levantava com brusquidão e corria para fora da sala.

Jogou a porta de uma das cabines do banheiro aberta, despejando o conteúdo de seu café da manhã na privada. Deu descarga ao sentir que havia terminado e respirou com dificuldade antes de voltar a chorar. Se recostou na parede da cabine e segurou a própria cabeça, secando suas lágrimas enquanto tentava digerir a situação toda, mas era em vão.

Aquilo não fazia sentido, não podia estar acontecendo, não devia estar acontecendo, mas, por mais que não quisesse acreditar, era real. Era muito real, e era uma grande merda.

Bakugou se surpreendeu e tentou segurar o choro quando ouviu a porta do banheiro abrir, mas se tranquilizou ao ouvir a voz de Kirishima.

- Bakugou...? É você? - Seu amigo não respondeu, apenas respirou fundo enquanto o ruivo se aproximava. - Você não parece muito bem... quer conversar?

O loiro fungou e secou suas lágrimas antes de sair da cabine e se pôr em frente ao amigo.

- Me desculpa, Kirishima... - Falou com dificuldade. - Mas eu não consigo aceitar que isso esteja acontecendo.

O ruivo assentiu abaixando a cabeça.

- Eu entendo... Sinceramente, eu também. Ei... a propósito, desculpa pelo que eu falei... sobre o pai do Midoriya-

- Tudo bem. - Bakugou interrompeu.

Kirishima fitou-o com remorso.

- Eu realmente sinto muito, Bakubro. É só que... eu quero acreditar que o Midoriya esteja bem.

 

Bakugou abaixou os olhos, então Uraraka não tinha contado. Resolveu então poupá-lo daquele detalhe.

 

- É... eu também. - Suspirou. - A verdade é que... nada disso faz sentido. Foi o Hisashi quem abandonou a família para começo de conversa, não faz sentido que tenha voltado.

 

- Espera, como assim? - Kirishima se adiantou, fazendo-o hesitar, lembrando que Hisashi abandonou a família por causa do Deku, mas percebeu que não devia contar sobre a individualidade dele, mesmo que o esverdeado já tenha dado com a língua nos dentes. - A-ah, desculpa! Não precisa me contar, se não quiser...

 

- Ele disse que estava decepcionado com o Deku. - Confessou de todo modo. - Disse que não precisava de um filho... inútil como ele.

 

O ruivo se mostrou chocado.

 

- Por quê isso...?

 

Bakugou se calou, selecionando bem as palavras para não contar o que não devia.

 

- Estava decepcionado com a individualidade dele.

 

O olhar de Kirishima mostrava todo o remorso que sentia pelo colega.

 

- Que horrível... É verdade que o Midoriya não consegue usar a individualidade sem se quebrar todo, mas mesmo assim! - Bakugou se calou, seu amigo estava começando a ficar revoltado e era a última coisa que precisava naquele momento. - Realmente não faz sentido que tenha voltado para buscá-lo... Ei, Bakubro... eu quero... ajudar a encontrar o Midoriya.

 

- Isso não é problema seu. - Disse rapidamente.

Kirishima fitou-o com raiva, surpreendendo-o. No momento que voltou a falar, estava visivelmente tentando controlar seu tom.

- Quando um colega de classe está em apuros, é problema meu, sim! Também estou preocupado com o Midoriya, Bakugou... afinal o considero meu amigo. - Kirishima se aproximou e tocou seu ombro afetuosamente. - Você não está sozinho, nessa.

O loiro segurou o sorriso para não voltar a chorar.

- Obrigado, Kirishima.

O ruivo sorriu para ele e lhe deu um abraço companheiro que aceitou sem hesitar.

- Vamos almoçar? - O ruivo convidou ao se distanciar. - Você parece precisar de uma pausa.

Um raro sorriso leve se formou em seus lábios.

Os dois saíram juntos do banheiro e foram almoçar, conversando sobre assuntos triviais na tentativa de Kirishima animar o amigo.

O resto das aulas se arrastaram como tortura. Finalmente, ao soar o sinal de saída, Bakugou correu pra porta ignorando o olhar de desaprovação no rosto de Aizawa, que simplesmente suspirou na direção do garoto, sabendo que não tinha como persuadi-lo. Correu pelas ruas tendo uma única direção em mente.

Inko estava surpresa em ver Katsuki novamente em sua porta.

- Katsuki...? - Disse preocupada. - O que foi, desta vez?

- Achei que pudesse precisar de companhia. - O garoto forçou um sorriso.

Inko lançou-lhe o mesmo sorriso forçado.

- Tudo bem, entre. Vou avisar a sua mãe que está aqui.

Inko adentrou a casa, dando espaço para Bakugou passar. Este fechou a porta atrás de si antes de deixar os sapatos no genkan*.

Passaram a tarde assistindo TV, regada pelo chá servido por Inko e ocasionais comentários sobre os programas. À noite, tentou mandá-lo de volta para casa, mas Katsuki insistiu em fazer o jantar.

Depois de comer e ajudar com a louça, Bakugou concordou em voltar, dando um abraço apertado em Inko na porta.

- Tome um banho, quando chegar em casa. - Riu ela torcendo o nariz.

Katsuki corou. É verdade que sequer trocava a roupa desde que recebeu a notícia.

Seus olhos se voltaram para a figura materna.

- Titia... desculpa pedir isso, mas... posso pegar uma camiseta emprestada?

Inko abaixou o olhar, relutante.

- Desculpe... eu até emprestaria, mas-

- Não consegue entrar no quarto dele. - Completou a frase por ela.

Ela concordou segurando as lágrimas.

- Você sente muita falta dele, não é? - Inko forçou um sorriso no que Katsuki assentiu. - Nesse caso, acho que pode ir pegar uma.

O garoto se mostrou surpreso.

- Mesmo? Tem certeza? - Seguiu Inko de volta para dentro da casa, esta assentiu.

- É claro. Você lembra onde o Izuku guarda as camisetas?

Katsuki seguiu-a até a porta do quarto de Izuku onde pararam relutantes; Inko lançou um olhar encorajador em sua direção e este assentiu, virando a maçaneta devagar enquanto Inko se distanciava.

O quarto de Izuku continuava praticamente o mesmo desde a última vez em que esteve lá, fora alguns itens como aparelhos de musculação ou itens colecionáveis do All Might que foram adicionados ao longo dos anos.

Bakugou secou uma lágrima que ameaçou cair; não querendo se demorar muito mais lá dentro, vasculhou rapidamente o guarda roupas em busca de uma camiseta. Achou uma velha que Izuku não usava muito, mas que continuava embriagada com seu cheiro, como constatou. Enfiou a peça de roupa na mochila e já estava de saída quando um livro na estante captou sua atenção.

Não se contendo de curiosidade, abriu-o para constatar que era um de seus anuários escolares. Folheou as páginas até encontrar a foto de Izuku com aquele sorriso radiante que faria o dia de qualquer um mais feliz, mas que, no momento, só trazia memórias distantes que o deixaram melancólico.

Folheando um pouco mais, encontrou sua própria foto, nela, uma bela dedicatória para si mesmo que nunca havia visto.

"Kacchan,

Apesar de estarmos nos separando, espero um dia poder voltar a ser seu amigo. Você é incrível!

IM."

Aquilo foi demais para ele. Fechando o livro rapidamente, o jogou de volta na estante e correu porta afora, surpreendendo Inko que esperava do outro lado.

- Ah, querido! - Disse ela com lágrimas nos olhos, não demorou muito para Bakugou perceber que o motivo de suas lágrimas era porque estava chorando também.

Não segurou desta vez, deixou as lágrimas fluírem enquanto abraçava Inko e consolaram um ao outro por um longo momento antes do garoto voltar para casa melancólico.

Uma vez em seu destino, seus pais não o questionaram sobre o atraso, apenas perguntaram se havia jantado no que Katsuki confirmou.

Sua mãe o mandou tomar um banho e este obedeceu, voltando para seu quarto logo em seguida e passando mais algumas horas pesquisando no computador ao invés de fazer o dever de casa, só indo dormir quando seus pais foram dar boa noite e o pegaram em frente ao computador, que desligou relutante e foi se deitar.

Assim que seus pais saíram, Bakugou levantou novamente e buscou a camiseta de Izuku em sua mochila, levando-a de volta pra cama e sentindo o aroma adocicado do tecido antes de fechar os olhos e se entregar a uma noite de sono um pouco menos turbulenta. Só queria que Izuku tivesse a mesma sorte de estar seguro no conforto de sua casa, não pôde evitar imaginar o que devia estar passando.

- - -

Seu corpo ainda doía com as queimaduras da vez em que seu pai o atacou em frente ao prédio de seu apartamento, era uma dor quase que insuportável e o fato de ter que dormir em um colchão velho jogado num canto - agora manchado de sangue - sem nenhum tipo de curativo para cobrir seus ferimentos, não ajudava.

Tentou fugir várias vezes no caminho para aquela casa, mas seu pai se assegurou de prendê-lo ao barco que pilotou no caminho, até em segurá-lo firme e ameaçá-lo até arrastá-lo para dentro da casa e até o porão, que era um quarto escuro sem uma janela sequer, iluminado apenas por uma lâmpada fraca pendurada no teto, sem mencionar que seu corpo ferido somado à dor da queimadura o enfraqueceram o suficiente para dificultar sua fuga.

Estava perdendo o rumo dos dias e faminto por quase não ter recebido alimento desde que chegou ali, se entregando ao sono só quando estava exausto, pois não tinha noção de quando era dia ou noite naquele quarto sombrio. Onde quer que estivesse agora, pelo fato da casa ter um porão, com certeza não estava mais no Japão.

Seus gemidos de dor foram interrompidos por cliques de tranca e se apavorou, sabendo que Hisashi estava destrancando a porta do andar de cima. Se apoiou nos cotovelos com dificuldade, ouvindo passos nas escadas e encarando a porta que se abria para "seu quarto" até o rosto do homem que o abandonara se fazer visível. O mesmo sorriu e se assegurou de trancar a segunda porta novamente antes de se aproximar com um kit de primeiros socorros.

O garoto encolheu contra a parede com um olhar apavorado.

- Se aproxime, Izuku. - Hisashi falou impaciente. - Vim cuidar dos seus ferimentos.

Relutante, o garoto fez um esforço e se sentou na beira da cama com dificuldade e gemendo de dor. Não disse nada, apenas segurou os gritos de dor enquanto seu pai limpava os ferimentos.

- Sabe que o papai não gosta de te machucar assim, não é? - Quase pôde perceber um tom de sarcasmo na voz de Hisashi quando este falou. - Mas eu fiz o que tinha que ser feito para que não fugisse.

Izuku se calou, algo pairava em sua mente. Finalmente reuniu coragem para falar.

- Por que voltou? - Rapidamente se calou e estremeceu debaixo do olhar do pai. O mesmo sorriu de forma maligna.

- Eu vi o seu "showzinho" no festival esportivo pela TV. Não é grande coisa, né? Mas, no fim, fiquei feliz em descobrir... - Izuku encolheu quando Hisashi se levantou de sua perna, agarrando seu rosto de forma brusca na tentativa de parecer afetuoso. - O meu garotinho tem uma individualidade!

O esverdeado abaixou os olhos. Tendo em mente que não podia sair contando por aí, se segurou para não contar ao pai que até conseguira controlar sua nova individualidade recebida.

Hisashi sorriu impaciente e voltou a mexer na caixa, pegando ataduras.

- Agora que estamos no assunto, por quê não me conta mais sobre ela?

Izuku engoliu um seco. Sabia o que ia acontecer se negasse, mas tinha que fazer o que devia ser feito.

- E-eu... eu não posso contar.

O olhar de Hisashi entregava que estava a um passo de atacá-lo se não contasse o que queria ouvir. O mesmo forçou um sorriso.

- Izuku... tem certeza de que é a resposta que quer me dar?

O garoto estremeceu enquanto observava seu pai se levantar e desenrolar a gaze. Abaixou o olhar e pensou rápido.

- Acho que ela só demorou mais para se desenvolver-!

- Izuku. - O garoto gelou, Hisashi agarrou seu ombro e olhou no fundo de seus olhos, descontente. - Eu devia avisar... não minta para mim!

Seu rosto sardento se contorceu em pavor quando um clarão emanou da boca do pai. Nem teve tempo de pensar, só de berrar em agonia enquanto seu corpo era engolido pelas chamas.

- - -

Abrindo seus olhos relutante, Bakugou acordou com o som do alarme de seu celular ao almíscar de Izuku debaixo do nariz. Confuso, olhou para baixo para se deparar com a camiseta que havia emprestado, pousada sobre o travesseiro onde a havia colocado para adormecer sob seu odor.

Com um olhar triste, alcançou o celular para desativar o alarme e então sentou na cama, esfregando o rosto para espantar a exaustão que sentia. Se levantou com certo esforço e saiu em direção ao banheiro, se preparando para mais um dia de aulas.

A caminhada deu tempo suficiente para Bakugou pensar no que vinha acontecendo nos últimos dias. Certamente não estava lidando bem com o sequestro de Deku, mas ainda não era motivo para parar de viver por si só. Definitivamente se empenharia na busca pelo garoto sardento, ao mesmo tempo em que se empenharia nos seus estudos e dar conclusão ao seu objetivo de se tornar um herói profissional.

Não ia descansar até vê-lo novamente, vivo ou morto - preferencialmente vivo -, mesmo assim, desistir de seu sonho para resgatá-lo era a última coisa que o próprio Deku iria querer, e tinha plena consciência disso.

Com isso em mente, se empenhou nas anotações em meio às aulas pois andava divagando, obviamente. Sua notável mudança de comportamento fez os professores se mostrarem aliviados.

Ao sinal do almoço, se dirigiu diretamente à porta tendo um caminho em mente, mas logo ouviu alguém chamar.

- Ei, Bakugou! - Kirishima trotou em sua direção. - Você parece melhor agora, que bom! Andou descansando bem?

- Mais ou menos. - Respondeu distraído.

- Entendi... - O ruivo comentou devagar. Seu amigo certamente parecia mais descansado, mas ainda estampava olheiras que entregavam que não estava 100%. - Eu andei pesquisando em casa... realmente não tem muita informação sobre o Midoriya.

- É... - Bakugou disse devagar, tendo plena consciência disso.

- Quer ir almoçar? - Kirishima convidou.

- Desculpe, mas tem um lugar que eu preciso ir.

- Aonde você vai? - O ruivo perguntou preocupado ao vê-lo se virar para sair.

- Visitar um "amigo". - O sarcasmo em sua voz era aparente, Kirishima percebeu, mas não o seguiu ou impediu, nem fez mais perguntas.

O explosivo se dirigiu à sala dos professores, olhando em volta. Quando avistou quem procurava, se aproximou com passos decididos.

- Ei, All Might. - Chamou o homem que olhou-o confuso. - Preciso falar com você.

All Might se mostrou surpreso. No momento seguinte, estavam na sala dele.

- Vai querer um chá, jovem Bakugou? - O herói ofereceu ao se dirigir à chaleira.

- Não, papo reto. Não quero perder muito tempo. - Respondeu ao se jogar no sofá.

All Might fitou-o preocupado, se afastando da chaleira e sentando à sua frente.

- Muito bem... sobre o que quer conversar?

- Você é bem próximo do Deku, não é? - O olhar de repúdio no rosto do garoto surpreendeu o mais velho.

- Bem, pode-se dizer que sim... Por que a pergunta?

Bakugou hesitou um pouco, parecendo envergonhado.

- Por acaso você teria... alguma informação sobre ele que eu não saiba?

Vendo a preocupação no rosto do garoto, All Might pareceu se aliviar, decifrando o que queria dizer com aquilo.

- Sinto muito, jovem Bakugou... mas não posso compartilhar informações confidenciais com você.

- Ah, não me vem com essa merda, de novo! - O explosivo se levantou irritado. - Eu ‘tô cansado de todo mundo me falando que eu não posso fazer parte disso! O Deku está perdido por aí com o pai abusivo e eu não posso fazer nada?! Porra, vocês acham que eu não me preocupo, também?! Eu sou o amigo de infância dele! Eu nunca...!

All Might se preocupou quando o garoto à sua frente desabou no sofá e se pôs a chorar.

- Jovem Bakugou...?

- Nunca... tive a chance de me desculpar.

A expressão do homem suavizou.

- Jovem Bakugou... entendo como se sente, mas não posso deixar que se arrisque nessa investigação. Não precisa se preocupar... você não é responsável por isso.

- Então por que eu sinto como se fosse?! - O garoto exclamou com voz embargada.

All Might fitou-o sereno.

- Sabe... se está pensando que o jovem Midoriya guardava algum rancor de você: não guardava. - Bakugou se surpreendeu àquelas palavras. - Toda vez que falava de você, era sempre com muita admiração e respeito... Não posso deixar que participe das investigações... isso pode comprometer seu futuro como herói e o jovem Midoriya não ia querer que isso acontecesse, você sabe.

Seus olhos carmesim miraram em várias direções, pensando rápido.

- E se chegarem tarde demais...? O que eu vou fazer?

Os olhos de All Might estamparam carinho.

- Gostaria de assegurar que vamos recuperá-lo a salvo mas, como não posso prometer isso, eu só posso aconselhar que, se for o caso, tente se perdoar... assim como o jovem Midoriya perdoou.

Bakugou soluçou, tentando em vão conter as lágrimas. Já esperava sair de lá de mãos vazias, só não esperava ouvir aquela "revelação". All Might o consolou até o garoto se acalmar e se sentir confiante o suficiente para sair da sala.

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© Criado por Bo Toriko com Wix.com

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