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Bo Toriko.jpg

Resgate

Alguns dias se passaram e as investigações seguiam a todo vapor, somente Bakugou continuava sua busca enquanto perdia as esperanças.

O garoto estava deitado em sua cama, desta vez pesquisando em seu celular num site de streaming de vídeos assistindo a notícias sobre Deku quando uma live em específico chamou sua atenção, pois a thumbnail mostrava seu rosto sardento.

Imediatamente se sentou num pulo, abrindo a live em questão; teve sorte de pegá-la do início. No vídeo, o esverdeado não se encontrava em seu melhor estado: sua roupa estava quase que completamente destruída e estava coberto da cabeça aos pés de curativos e hematomas, seus cachos verdes também mostravam alguns pontos queimados e estavam desgrenhados, seus olhos com olheiras profundas e seu rosto mais pálido do que o de Bakugou nos primeiros dias de seu desaparecimento.

Assim que ajustou a webcam, Izuku checou a porta atrás de si para garantir que ninguém estivesse ouvindo, então falou baixo contra o microfone do fone de ouvido.

- Eu não tenho muito tempo, então vou direto ao assunto... Meu nome é Izuku Midoriya, no momento não sei onde estou... Eu só queria mandar uma mensagem pros meus amigos da UA antes que seja tarde demais... Se estão vendo isso: Iida, você me intimidou um pouco numa primeira impressão, devo confessar. - Izuku sorriu à lembrança. - Mesmo assim, agradeço que tenha sido meu amigo. Você também, Uraraka! Eu queria ter agradecido o que fez no dia da prova de admissão... obrigado…! Eu queria confessar que gosto de você... - Izuku começou a chorar, respirando para controlar a voz. - Mas, infelizmente, nunca tive coragem de me declarar, nem poderia porque... eu também gosto de outra pessoa... Todoroki... fiquei muito feliz que tenhamos nos tornado amigos... Eu só espero que não tenha mais que ficar sozinho, mesmo sem mim por perto... Kacchan... - O nome pegou Bakugou desprevenido. - Eu tenho uma coisa importante para te falar... Eu...

- IZUKUUUUU!!! - Os olhos do garoto se encheram de terror ao ouvir a voz do pai. Levantou rapidamente, derrubando a câmera no processo.

 

A imagem não mais mostrava o rosto de Izuku nem revelou o de seu agressor, apenas berros eram ouvidos ao fundo do garoto implorando por perdão enquanto a voz de Hisashi se ouvia cada vez mais alta, se aproximando e repreendendo-o por entrar em seu escritório. De repente um clarão e um berro de agonia antes da live ser removida do ar pelo conteúdo violento.

 

Bakugou encarou a mensagem na tela por alguns minutos, digerindo o que acabara de assistir. Seus olhos se encheram de lágrimas e ele rapidamente prosseguiu em copiar o link da página com mãos trêmulas e abriu as mensagens para contatar Aizawa.

Onde você está???

Olá, Bakugou! Boa noite para você, também... Estou na escola indo pra delegacia, por que?

 

Ótimo. Quando chegar lá, peça para rastrearem o endereço deste vídeo...

 

Esperou impaciente até seu professor voltar a digitar depois de ter recebido o link.

 

O que é isso?

 

O Izuku.

Aizawa não respondeu mais, apenas deslogou.

 

Bakugou quis xingar, mas esperava que tivesse entendido a mensagem e corrido pra delegacia fazer o que lhe foi pedido, então se segurou.

Contatou seus amigos, assim como Uraraka, Iida e Todoroki; lhes enviou o link em questão e ficou acordado se agarrando ao fio de esperança de que pudessem rastrear a localização do vídeo.

Foram alguns minutos até seu celular vibrar com uma mensagem.

Obrigado pelo link. Você fez muito bem, Bakugou.

Aizawa o parabenizou. E lá estava seu fio de esperança.

Conseguiram rastrear???

Conseguimos, estamos indo para lá agora.

Qual o endereço?

Você já fez o suficiente, vá descansar que cuidamos do resto.

Indignado, o garoto prosseguiu a xingar seu professor, mas o mesmo nem viu as mensagens pois já havia deslogado.

Estava prestes a atirar o celular contra a parede quando o aviso de uma nova mensagem apareceu na tela.

Oi, Bakugou! Desculpe a demora. Pedi pra Hatsume localizar onde o vídeo foi gravado e ela conseguiu um endereço...

Franziu o cenho ao endereço na tela: Otheon.

Obrigado, Iida. Estou me preparando para ir agora; você vem, também?

Você sabe.

Ótimo, vou contatar os outros e combinar um ponto de encontro.

Vou estar esperando.

 

Como dito, Bakugou combinou de encontrar Iida, Uraraka, Todoroki e Kirishima no cais mais próximo. Todos correram para lá e se reuniram.

- E então... qual é o plano? - Kirishima, que foi o último a chegar, perguntou ofegante.

- Acho que precisamos checar os horários das balsas-

- Não temos tempo para isso! - Bakugou interrompeu a castanha. - Algum de vocês sabe pilotar um barco?

- Eu sei. - Iida golpeou o ar em sua direção.

- Espera, Bakugou! Está mesmo sugerindo que roubemos um barco?! - Todoroki exclamou surpreso.

- Você sabe pilotar, Todoroki? - Bakugou perguntou impaciente.

- Ei, você não pode estar falando sério-!

O bicolor foi interrompido por um soco em seu rosto vindo do loiro explosivo. O mesmo quase caiu no chão, não fosse Kirishima o apanhando em pleno ar.

- P-pessoal, calma! - Iida se posicionou entre os garotos, estendendo as mãos na direção de ambos. - Não vamos brigar num momento como este-!

- NÃO FODE, IIDA!!! - Todos se surpreenderam com o berro de Bakugou, mais principalmente por estar chorando em sua frente. - Vocês não viram o que eu vi... O Deku pode estar morto, agora! Vou perguntar de novo... Todoroki... você sabe pilotar?

O bicolor pausou chocado antes de responder.

- Sei um básico...

- Ótimo, vamos. - O garoto explosivo disse plenamente e todos o seguiram pro barco mais próximo em que pulou. Iida e Todoroki começaram a preparar para zarpar de prontidão.

Houveram alguns gritos de aviso quando perceberam que um de seus barcos estava sendo roubado, mas este já estava fora de alcance assim que apontaram lanternas para ele.

A viagem foi rápida, graças a Iida e Todoroki navegando a todo vapor, muito pelas ordens de Bakugou que se encontrava impaciente, observando os garotos pilotarem até diminuírem a velocidade ao se aproximarem do litoral de Otheon. O barco fez uma atracada levemente forçada, mas se via ainda intacto.

Todos já estavam descendo para terra firme quando o loiro saltou na frente, correndo em direção ao endereço. Os outros adolescentes tentaram acompanhar, mas Bakugou era rápido demais e acabaram ficando para trás.

O garoto explosivo voava usando impulsos das mãos movidas pela sua individualidade, pousando enquanto corria vez ou outra para checar o endereço que rastrearam pelo celular. Assim que a casa que procurava se ergueu no horizonte, Bakugou cessou as explosões e correu em direção a ela, não perdendo tempo para destruir a porta da frente.

O garoto esperou a poeira abaixar para escanear a sala em que se encontrava enquanto avançava para dentro dela. Ouvindo uma tosse de um canto, reconheceu o rosto de Hisashi e encarou-o com ódio.

- Eu não vou perguntar duas vezes... - Ergueu a mão ameaçadoramente em sua direção. - Cadê o Izuku?

O homem parecia admirado.

- Katsuki? Como você cresceu, garoto! Vejo que já controla sua individualidade muito bem.

- Resposta errada! - Bakugou soltou uma explosão em sua direção, mandando Hisashi voando pro outro lado da sala.

As explosões e vozes no andar de cima só indicavam uma coisa:

- Kacchan...! - Izuku rolou da cama até cair no chão e se arrastou até a porta, formando um rastro de sangue que escorria das ataduras soltas.

Ativando o Full Cowling, usou de suas últimas forças para esmurrar a porta. Não era efetivo o suficiente para quebrá-la, mas o estrondo que fazia conseguiu o que almejava: chamar a atenção de Kacchan no andar de cima.

- Deku! - Bakugou correu até a porta do porão enquanto Hisashi tentava se levantar com dificuldade de onde caiu. - Deku, eu vou explodir a porta! Se afasta!

O sardento obedeceu e rolou pro lado até ficar a uma distância segura. Bakugou se afastou um pouco e explodiu a primeira porta que estilhaçou em farpas que voavam pela escada, desceu os degraus com pressa e explodiu a segunda porta, escaneando o quarto rapidamente até seus olhos caírem sobre o esverdeado deitado não muito longe em estado deplorável.

- Kacchan...

Bakugou correu até ele e o pegou rapidamente nos braços.

- ‘Tá tudo bem, nerd... - Chorou ao se aproximar da escada. - Eu vou te tirar daqui.

Correu o mais rápido que pôde mas, assim que chegou ao pé da escada, se esquivou, jogando-se para trás de modo que Deku caísse por cima enquanto um fogaréu emanava pela porta e escada abaixo.

Bakugou deitou Deku no chão com cuidado e se levantou, Hisashi estava descendo a escada ameaçadoramente.

 

- Você tem coragem, garoto...! - Disse ele com dor na voz.

- Afaste-se. - Bakugou ordenou, levantando ambas as mãos.

Os olhos de Hisashi caíram sobre Izuku no chão e sorriu de lado. O loiro decifrou suas intenções no mesmo instante, tendo em mente que o corpo de Deku não aguentaria outra rajada de sua individualidade. Não teve muito tempo de reagir, Hisashi já abriu a boca e soltou um jato de fogo na direção do filho.

- NÃO!!! - Bakugou gritou e se jogou em sua frente, recebendo a rajada por ele.

O esverdeado olhou para cima em choque enquanto as costas de Kacchan queimavam.

O garoto caiu de joelhos. A dor da queimadura era horrível e Deku ainda tinha de aguentar aquilo repetidamente? Ouviu uma risada zombeteira atrás de si e se virou para encarar Hisashi com ódio.

- Foi uma bela tentativa, garoto... mas acho que acabou para vocês. - Foi tudo o que disse antes de se retirar e subir as escadas rapidamente.

Decifrando suas intenções, Bakugou pegou Deku de volta nos braços e correu até a porta, mas o andar de cima já estava em chamas, bloqueando sua única saída. Tarde demais.

O loiro caiu de joelhos com Deku nos braços, era como em seus pesadelos: havia perdido mas, desta vez, era real. Ficou abraçando o esverdeado com lágrimas nos olhos quando este chamou sua atenção.

- Kacchan... por que...?

- "Por que"? - Repetiu ele, forçando um sorriso em meio às lágrimas. - Eu não podia deixar você ir ainda... não antes de te falar o que eu preciso.

Izuku se mostrou confuso, mas ficou chocado ao Kacchan segurar seu rosto afetuosamente e beijar seus lábios. Ao se separarem, encarou seus oceanos de esmeralda com remorso.

- Eu sinto muito, Izuku. - Disse ele ao afastar as mechas queimadas do seu rosto. - Eu não fui rápido o suficiente... Me desculpe... Me desculpe...!

Katsuki enterrou o rosto em seu peito e ficou abraçando-o enquanto o fogo descia pelas escadas. Então era assim que acabava? Que péssima hora para morrer, pensou Izuku; contudo, o fim ainda estava longe...

Os garotos ouviram as chamas chiando no andar de cima; levantaram seus olhos confusos enquanto uma figura alta e musculosa descia as escadas com pressa, atravessando as chamas que diminuíam em tamanho e tossindo no caminho até chegar ao encontro dos garotos.

- All... Might... - Izuku disse com dificuldade e seus olhos brilharam antes de se fecharem.

All Might saiu pela porta da frente carregando Midoriya num ombro e apoiando Bakugou no outro. Assim que respiraram o ar do mundo de fora, avistaram policiais, bombeiros e paramédicos ao redor da casa. Iida, Uraraka, Todoroki e Kirishima foram barrados da cena do crime, tentando se aproximar ao verem seus amigos.

O herói se ajoelhou junto de Bakugou e segurou Midoriya em seus braços, encarando seu rosto.

- Jovem Midoriya... - Disse All Might com tristeza na voz.

- Ele vai ficar bem? - Perguntou o loiro preocupado.

O herói profissional sentiu o pulso do garoto em seus braços para constatar...

- Ainda está respirando. - Ele e Bakugou suspiraram aliviados.

- E o Hisashi? - O garoto perguntou com desprezo.

- Preso. - All Might disse para sua satisfação. - Não pôde ir muito longe, quando chegamos.

Bakugou sorriu. Ao menos havia acabado...

Os paramédicos se aproximaram para cuidar dos ferimentos dos garotos quando ouviram Deku gemer e acordar com dificuldade.

- All Might... - Disse ele ao olhar para cima, então seus olhos caíram sobre Bakugou. - Kacchan...

- Você vai para casa, nerd. - O loiro sorriu em sua direção.

- Você voltou... por mim...

Bakugou deu de ombros.

- Eu não te falei...? "Eu sempre vou resgatar a princesa".

All Might encarou-o confuso, mas Midoriya parecia entender, visto que começara a chorar àquelas palavras.

Os paramédicos levaram ambos os garotos às ambulâncias e dirigiram até o hospital mais próximo.

Parecia ter acabado mas, pelo visto, estava apenas começando…

- - -

Após cuidarem de seus ferimentos, uma enfermeira entrou no quarto de Katsuki no hospital.

- Com licença, senhor Bakugou. – Chamou ela. - Você tem visita.

A enfermeira saiu após um humanoide com cabeça de cachorro adentrar o quarto ao lado de um homem loiro franzino.

- Olá, jovem Bakugou. - Disse o loiro.

- Hum...? Nos conhecemos? - O garoto indagou confuso.

- Ah, sim! Creio que eu deva me apresentar... - O mais velho se aproximou e apertou sua mão. - É um prazer! Eu sou o All Might.

Bakugou encarou-o confuso.

- Hã...?

- Explico isso depois! - All Might se virou pro humanoide atrás de si. - O delegado tem umas palavras, antes...

O garoto observou apreensivo o humanoide se aproximar alguns passos.

- É um prazer, jovem Bakugou. - Reverenciou. - Eu sou o delegado de polícia, Kenji Tsurugamae, vim falar sobre os eventos da noite passada. Como lhe foi instruído, devia ter deixado a polícia e heróis profissionais trabalharem no caso, no entanto, ignorou os avisos e agiu por conta própria. Como ainda é um estudante, não tem autoridade para se meter em assuntos da polícia; no momento, sem nenhuma licença, é considerado um civil. Deve saber o que acontece com civis que fazem justiça com as próprias mãos...

- E eu ia fazer o quê, hein?! - O adolescente se exaltou. - A vida do Izuku estava por um fio! Acha que eu ia deixá-lo morrer?!

- Jovem Bakugou! Deixe ele terminar, por favor! - All Might o impediu quando se levantou do leito.

Kenji assentiu em direção ao herói profissional e se virou de volta pro garoto.

- Como ia dizendo: soube que compartilhou uma informação crucial sobre o paradeiro de Midoriya e ainda o defendeu e, como All Might chegou na cena do crime para resgatar ambos, resolvemos deixar passar, assim como o roubo do barco que indenizamos, dando os créditos do resgate de Midoriya para All Might.

Bakugou encarou o velho senhor que sorriu envergonhado.

- Se eu aceitar não levar os créditos, então não vou ter problemas... né? - Perguntou devagar.

- Isso mesmo. Por mais que tenha agido por conta própria sem permissão, você foi um verdadeiro herói salvando a vida do seu amigo e ajudando a capturar um malfeitor, não podemos negar sua boa ação-wan. - Kenji levantou o polegar em sinal positivo.

O garoto olhou do delegado para All Might, resolvendo engolir seu orgulho de uma vez e fazer o que devia ser feito.

- Certo.

Ambos sorriram para ele.

- Muito bem, jovem Bakugou, espero que guarde bem essa informação. - O delegado disse por fim. - Bom, parece que têm muito o que conversar, vou deixar os dois a sós.

All Might observou Kenji partir e se voltou para o garoto.

- Bom, acho que temos umas atualizações a fazer... - Sorriu envergonhado.

O mais velho contou tudo, desde o motivo de sua aparência atual até o One for All que passou para Midoriya e Bakugou ouviu tudo em silêncio.

- Então... o Izuku ganhou a individualidade de você? - Indagou incrédulo.

- Isso mesmo. - O mais alto confessou.

Bakugou abaixou o olhar. Não tinha tempo para digerir aquela informação, tinha apenas uma coisa em mente:

- Quando posso vê-lo?

O sorriso de All Might se desfez.

 

- Sinto muito, jovem Bakugou, mas o jovem Midoriya está numa ala restrita do hospital por conta do seu estado crítico.

 

O garoto encarou suas mãos sobre o colo. Izuku não podia morrer, não tinha chegado àquele ponto para acabar assim e não ia aceitar que acabasse assim.

 

- Ei. - All Might segurou seu ombro ao ver o olhar preocupado em seu rosto. - Não tire conclusões precipitadas, jovem Bakugou... afinal o jovem Midoriya está a salvo e recebendo os cuidados necessários graças a você.

O garoto assentiu perante o sorriso do mais velho, o mesmo se levantou.

- Bom, já vou indo... enquanto isso, acho que vai querer falar com seus pais...

O adolescente encarou-o confuso, mas entendeu a situação quando All Might saiu e seus pais entraram logo em seguida, surpreendendo-o. Masaru o olhava envergonhado perante a expressão da esposa, que se mostrava profundamente irritada. Não tardou para que a mesma caminhasse até o filho com passos largos e começasse a puxar sua orelha.

- Seu pestinha! O que te deu na cabeça para fugir de casa no meio da noite, hã?!

- Q-querida! Ele ainda está ferido! - Masaru exclamou enquanto Katsuki protestava.

- E é por isso mesmo que não lhe dou um soco na boca! - Mitsuki gritou pro filho que se mostrou indignado.

Alguns enfermeiros tiveram que intervir por conta do barulho, quando conseguiram acalmar mãe e filho, estes começaram a conversar civilizadamente.

- Podia ao menos ter deixado mensagem, nos deixou preocupados! - Mitsuki repreendeu.

- Desculpa... eu agi por impulso. - Katsuki disse com remorso.

Sua mãe suspirou cansada.

- Bom, se quiser ver o Izuku depois dele melhorar, vou alugar um quarto de hotel por perto quando você receber alta; podemos ficar por lá quando o visitarmos.

- Mesmo?! - Indagou o garoto, sua mãe assentiu. Não queria manter as esperanças muito altas para não se decepcionar depois, por isso conteve seu ânimo. - Obrigado.

Seus pais sorriram e ficaram um tempo conversando até voltarem para casa, no entanto suas visitas não acabaram.

- Bakugou!

- Kirishima?! - Exclamou ao ruivo que vinha correndo em sua direção, Iida, Uraraka e Todoroki seguiam atrás.

- Você está bem?! - Kirishima perguntou preocupado.

- Sim, eu vou ficar bem.

- Desculpa. - Kirishima se virou pros outros. - Não pudemos fazer nada...

- Não tem problema. - Bakugou tranquilizou. - O Izuku está seguro agora, e isso é o que importa.

- Mas... - Uraraka disse cabisbaixa.

- Ei! - O garoto explosivo chamou sua atenção. - Não é porque não puderam fazer nada que isso faz de vocês uns inúteis, vocês todos me ajudaram da melhor forma que puderam! Inclusive eu prefiro assim, senão vocês teriam tido mais problemas por minha causa...

Os adolescentes sorriram perante seu amor bruto. Conversaram por um tempo até o horário de visitas acabar e foram com seus pais de volta para suas respectivas casas enquanto Bakugou pernoitou no hospital.

- - -

- O trânsito de Otheon sempre foi tão ruim? - O garoto olhou pela janela do carro, balançando a perna impaciente.

- Calma, já estamos quase lá. - Mitsuki riu às custas do filho.

Bakugou estalou a língua, impaciente e apoiou o cotovelo na porta, segurando o próprio rosto. Faziam algumas semanas que não via Izuku desde que o resgatou e estava ansioso.

Ao chegar no hospital, trotou em direção ao quarto indicado e abriu a porta para revelar Izuku e sua mãe.

- Katsuki! - Inko se levantou da cadeira que sentava ao lado do leito para abraçá-lo.

- Titia! - Bakugou exclamou contente, dando-lhe um abraço apertado.

- Eu fiquei sabendo! - A figura materna disse ao se afastarem. - O Izuku foi encontrado por sua causa! Obrigada por não desistir!

O adolescente abaixou o olhar, acanhado.

- Quê isso, eu não teria conseguido se o Izuku não tivesse feito aquele vídeo. - O loiro lançou um olhar na direção do esverdeado que se via envergonhado.

- É mesmo. - Inko disse devagar. - Você sentiu mesmo muita falta dele, não é? - Katsuki assentiu com o rosto corado. - Bom, vamos deixar os dois sozinhos por enquanto, aposto que têm muito o que conversar.

Suas mães saíram do quarto, dando a deixa para Bakugou se aproximar e sentar ao lado de Izuku no leito, tomando sua mão esquerda e apertando-a.

- Como está se sentindo? - Perguntou afetuosamente.

- Muito melhor, graças ao Kacchan. - O esverdeado sorriu. - Você me salvou!

- É-é, sobre isso... - Bakugou parecia envergonhado. - Poderia não contar isso para ninguém?

- Hã...? Por que? - Deku perguntou confuso.

O mais alto suspirou.

- Como ainda sou um civil, as autoridades resolveram dar os créditos do resgate pro All Might, para que eu não tivesse problemas.

- Entendi... - Izuku disse devagar.

- A propósito... o que tinha para me falar, naquele vídeo?

Seu rosto sardento corou, encarando as próprias mãos sobre o colo.

- N-não esperava que fosse alcançar algum de vocês... mas acho que ainda tinha essa esperança... Aproveitei uma chance em que consegui fugir do porão para invadir o escritório do Hisashi e enviar o vídeo, já que... sentia que não tinha muito mais tempo...

- É mesmo? - Katsuki ergueu uma sobrancelha, esperando que respondesse à pergunta.

Izuku suspirou.

- Eu queria dizer... que eu não guardo rancor de você, por isso já te perdoei... Não queria que ficasse remoendo, caso não pudesse me rever... - Bakugou abaixou os olhos ao ouvir exatamente o que All Might lhe dissera antes. - E também... eu... e-eu te amo, Kacchan... - Seus olhos escarlate arregalaram-se à confissão. - Eu te amo desde que éramos crianças e brincávamos de "princesa em perigo". - O esverdeado riu de leve. - Você lembra?

- Lembro. - Assentiu.

Izuku sorriu.

- Depois de tudo o que passei... não queria mais deixar isso pendente.

Bakugou levantou os olhos em sua direção.

- Então... isso significa que estamos namorando agora?

- Hã? - Izuku indagou, confuso.

- Eu tenho que soletrar para você? Eu te beijei na casa do Hisashi, lembra?

- Hã?! - Seu rosto sardento corou profundamente.

- Não me diga- NÃO LEMBRA?!! - Katsuki exclamou preocupado.

- N-não! Eu estava sentindo tanta dor que a maior parte não passa de um borrão, por isso...

A cabeça de Bakugou caiu na tentativa de esconder o rosto. Sentia-se um pervertido.

- Kacchan? - Bakugou levantou os olhos de volta para Izuku ao seu chamar. - N-nesse caso... eu não me incomodaria se começássemos a namorar...

O mais velho piscou envergonhado, um raro rubor se espalhava por suas bochechas. Não ia perder mais tempo, se aproximou e se inclinou sobre Izuku, deixando-lhe um beijo nos lábios.

Fim.

Nota Autoral

Agr q terminei esta fic, ñ preciso mais chorar :D

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© Criado por Bo Toriko com Wix.com

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