
Dias Felizes, Dias Sombrios

Uma brincadeira que Midoriya e Bakugou adoravam jogar só entre eles era a da "princesa em perigo", onde o príncipe - que era sempre Bakugou - tinha como objetivo resgatar a princesa - no caso, Midoriya - de uma "besta feroz".
Eles sempre se empenhavam muito nessa brincadeira, visto que era sua favorita entre melhores amigos: construíam um castelo com caixas de papelão onde Izuku ficava "preso", só esperando a chegada de seu "príncipe encantado" para resgata-lo de um dragão de pelúcia com o qual Katsuki lutava; chegavam ao ponto de usar fantasias e espadas de papelão para incrementar a magia. Teve um dia em que suas mães pegaram os meninos em meio à encenação; quando questionados, Katsuki se virou para Mitsuki e disse...
- Eu resgatei a princesa, agora vamos nos casar e viver felizes para sempre!
Ambas sorriram ante à inocência do pequeno.
- Que ótimo, querido! - Riu ela. - Precisa de ajuda com o casamento?
Katsuki se mostrou radiante à ideia.
- Sim!
Pela primeira vez, suas mães se uniram ao momento mais feliz dos dias dos meninos. Mitsuki se prontificou em "casar" o príncipe e a princesa, fingindo que lia os votos no caderno de tarefas do filho.
- Pelos poderes a mim investidos, eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva!
- Eu acho que isso é meio... - Inko quis intervir, mas não teve tempo de terminar a frase antes de Bakugou se virar para Izuku e dar-lhe um beijo na bochecha. Ambas se mostraram encantadas perante à cena adorável.
Sempre que iam brincar, Izuku se sentia injustiçado de ter que ser a princesa.
- Deixa eu ser o príncipe desta vez, Kacchan! - Choramingava ele.
- Não, eu sempre sou o príncipe. - Katsuki dizia plenamente.
- Ah, por favor! - Izuku juntava as mãos em súplica.
- Não pode, eu já falei! Eu sempre vou resgatar a princesa.
Izuku simplesmente suspirava em derrota, mas, mesmo numa idade tão jovem, entendia o que aquilo significava, então acabava cedendo e seguiam com a brincadeira.
Essas memórias ficaram no passado.
Com o tempo, vieram notícias afortunadas, brigas, afastamento, decepções, chegou ao ponto em que nem se conheciam mais.
Com o passar dos anos e com a entrada dos garotos na UA, formaram seus próprios grupos de amizades e tiveram várias experiências do festival esportivo aos seus primeiros estágios com heróis profissionais. Ao retorno das aulas, todos da classe 1-A estavam presentes, menos Izuku.
- Ei, Iida, você sabe do Deku? - Uraraka perguntou-lhe.
- É verdade que ele não apareceu, hoje... - O mais alto constatou ao escanear a sala com o olhar.
- Que pena... queria saber como ele foi no estágio… - A garota disse devagar.
- Você não andou falando com ele? - Iida perguntou surpreso.
Ela balançou a cabeça negativamente.
- Faz uns dias que ele nem visualiza mais as mensagens. Estou começando a ficar preocupada...
- Não se preocupe, Uraraka! - Iida golpeou o ar em sua direção. - Você o conhece: deve ter ido parar no hospital e não pode usar o celular, mas estou certo de que não é nada grave! Além do mais, ele sempre se safa.
- Acho que tem razão... - A castanha forçou um sorriso.
- Façam silêncio. - Aizawa anunciou ao adentrar a sala. - Sentem-se, vou fazer a chamada.
O professor chamou os nomes em ordem alfabética até chegar em Midoriya que, obviamente, não respondeu.
- Alguém sabe do Midoriya? - Aizawa perguntou ao levantar os olhos em direção à carteira do garoto e constatar que estava vazia.
- Ah, não... Faz uns dias que não sabemos dele. - Uraraka respondeu.
- Isso é raro do Midoriya... ele não é de faltar. - Kirishima comentou.
- Se fizerem silêncio, eu posso dar continuidade à chamada. - Aizawa repreendeu sem mostrar preocupação, a sala obedeceu.
Algo estava errado e Uraraka sabia disso, no fim estava certa...
Deku faltou à escola no dia seguinte e no dia depois daquele, e no outro e no outro até completar uma semana. Não atendia ligações nem visualizava mensagens, deixando seus amigos cada vez mais preocupados; sobrou pros professores intervirem.
No último dia de aula daquela semana, Aizawa entrou na sala envolto em uma aura sombria. Se virou pra classe e encarou-os seriamente, deixando-os nervosos.
- Quero que mantenham a calma para a notícia que vou dar, agora. - Os alunos se mostraram preocupados àquelas palavras. - O Midoriya está... desaparecido.
O professor suspirou perante as exclamações surpresas da sala. Aquilo não era manter a calma.
- Mas- o que aconteceu? Onde ele está?! - Uraraka se prontificou.
- Não sabemos. - Aizawa disse o óbvio. - Ligamos pra casa dele pelas faltas, foi quando sua mãe deu a notícia.
- A escola está fazendo alguma coisa quanto a isso? - Iida perguntou preocupado.
Aizawa abaixou a cabeça.
- Não há muito o que possamos fazer... Pelas informações que coletamos, não há indícios de onde ele possa ter ido.
- Peraí, ‘cê ‘tá de sacanagem, né?! - Bakugou se levantou. - O Deku sumiu e a escola vai ficar de braços cruzados?!
O mentor repreendeu-o com o olhar.
- Não estamos de braços cruzados. Estamos trabalhando para buscar informações sobre seu paradeiro, mas, até agora, não temos o suficiente. Agora sente-se!
Bakugou lançou-lhe um olhar furioso, por fim obedecendo relutante.
- Sei que um aluno desaparecido é preocupante, mas, no momento, temos que manter a calma e não deixar isso interferir nas atividades acadêmicas. - Aizawa se voltou pra sala. - Vamos tentar encontrá-lo; no meio tempo, quero que se concentrem nos seus estudos e não tentem nenhuma besteira. Vocês não têm permissão para participar das investigações, então não o façam!
A respiração do loiro ficou pesada, sentindo-se furioso e impotente. Sentia que a escola não estava dando ao caso a devida atenção e, no momento, odiava-os por isso. Apesar do aviso de seu professor, sabia que tentaria uma besteira.
As aulas seguiram em clima de funeral. De repente, com a possibilidade de nunca mais ver Midoriya, a classe 1-A já parecia mais vazia.
Ao soar o sinal de saída, Bakugou foi o primeiro a se levantar com um estrondo e ir em direção à porta com passos decididos, ignorando seus amigos. Parou perante a porta somente ao chamado do professor.
- Lembre-se do que eu falei, Bakugou. - Repreendeu ele. - Vai se meter em grandes problemas se tentar resolver isso sozinho.
O garoto apenas lançou-lhe um olhar de repúdio e continuou com seu caminho, ignorando o aviso.
O adolescente explosivo caminhou pelas ruas emanando uma aura intimidadora que afastava qualquer transeunte que cruzava consigo. Se Deku estava desaparecido, sabia exatamente a primeira coisa que devia fazer.
- Katsuki! - Inko exclamou surpresa ao abrir a porta de casa.
- Titia, posso entrar? - Bakugou estava visivelmente tentando controlar seu tom.
- É claro, querido. - Ela assentiu.
Assim que entrou, a figura materna virou-se para o adolescente e esboçou um sorriso melancólico.
- Acho que vamos precisar sentar para isso. - Indicou o sofá.
Bakugou assentiu e sentou ao lado dela, não teve tempo de falar antes de Inko se pronunciar novamente.
- Vejo que... recebeu a notícia.
O garoto suspirou, a mãe de Deku já estava tentando conter as lágrimas. Era fato que eles dois já não eram mais tão próximos, por isso só havia uma explicação para sua visita.
- O que sabe sobre isso?
Inko precisou se acalmar antes de abrir a boca.
- O Hisashi... levou ele.
Bakugou se mostrou chocado. De todas as pessoas que fossem sequestrar o Deku, a última que cogitaria era seu pai.
- Como sabe...? - Perguntou devagar.
Inko fungou antes de falar.
- Ele voltou quando o Izuku foi fazer o estágio... disse que queria rever o seu garotinho... Eu tentei afasta-lo, mas ele ficou rondando e... eu ia chamar a polícia mas, logo no dia em que o estágio terminou, ele encontrou Izuku e... Pegamos imagens das câmeras de segurança... não imaginava que ele seria capaz de fazer aquilo com o próprio filho!
Bakugou estava atordoado, era muito para engolir de uma vez. Inko não precisou dizer o que Hisashi fez, pois já havia decifrado.
- Sabem para onde o levou...? – Sussurrou o garoto.
A mulher chacoalhou a cabeça negativamente.
- As autoridades acreditam que o tenha levado para fora do país... Checaram as câmeras de segurança nos aeroportos mais próximos, mas ainda não encontraram nada.
Bakugou umedeceu os lábios, tentando digerir toda aquela informação.
- Titia... - Pousou a mão em seu joelho afetuosamente. - Eu vou trazer ele de volta, ‘tá bom...? Eu prometo.
Inko sorriu e balançou a cabeça negativamente.
- Não vá se prejudicar por isso, querido.
- Isso não é uma opção. - Falou determinado.
Inko soltou uma risada do fundo da garganta. Sabia como Katsuki era teimoso, por isso não via como persuadi-lo.
- Obrigada, querido. - Tocou seu rosto que já estava se molhando de lágrimas.
Bakugou tentou sorrir, o que só fez suas lágrimas aumentarem. Inko o abraçou e ali ficaram vários minutos consolando um
ao outro antes de ela mandá-lo de volta para casa.
A caminhada de volta seguiu mais longa e demorada do que o costume. Sentia-se perdido, Deku estava provavelmente sofrendo abusos nas mãos do pai, Inko estava desolada sem o único filho e Bakugou nem sabia por onde começar a procurar. Nem teve tempo de entrar em casa direito, sua mãe já o estava repreendendo.
- Isso são horas, Katsuki? A Inko me avisou por onde esteve, você não vai fazer nenhuma besteira para salvar o Izuku!
O garoto estava chocado.
- Você sabia...?
Mitsuki pausou num breve momento de remorso.
- Mesmo que eu soubesse, você não devia se meter no trabalho das autoridades-
- E nem pensou em me contar?! - Exclamou ele, interrompendo-a.
Mitsuki se mostrou arrependida e envergonhada perante a decepção do filho.
- Não contei porque sabia como ia reagir...
Bakugou soltou uma risada indignada, então sua expressão se contorceu em ódio ao encarar sua mãe antes de subir pro quarto.
- Katsuki-! - Mitsuki tentou chamar, sendo interrompida pelo bater da porta do quarto do filho, mas não o repreendeu por isso, apenas abaixou o olhar e ficou ali parada no lugar.
Bakugou jogou sua mala no chão com força antes de se atirar na cama e chorar contra o travesseiro. Aquilo não podia estar acontecendo, nem teve a chance de dizer para Deku o que mais queria, sequer se despedir.
Não desceu para jantar nem seus pais foram buscá-lo no quarto, apenas ficou ali deitado e chorou até cair num sono turbulento.
.
.
.
Um cavalo branco trotava pela relva de uma floresta carregando um garotinho de apenas 5 anos de idade; apesar de muito jovem, o cavaleiro chamado Katsuki cavalgava com destreza, pulando por troncos de árvores no caminho.
Trajado de armadura brilhante e empunhando sua espada, Katsuki saltou do cavalo em uma parada abrupta ao chegar em seu destino. Se encontrava frente a um castelo guardado por uma besta cuspidora de fogo; ao encara-la, a mesma se virou na direção do pequeno cavaleiro, rosnando e fumegando pelo nariz.
- Tens coragem, jovem guerreiro. - A besta gigante de aparência humana riu zombeteira perante a estatura singela do cavaleiro. - Mas não vou deixar que leve a princesa.
Katsuki fitou-o determinado.
- Se é assim, terei que tirá-la de você à força! - Disse desembainhando sua espada.
A besta soltou uma gargalhada terrível em sua voz monstruosa antes de se jogar em frente ao garoto e encara-lo nos olhos.
- Você pode tentar... mas não vai conseguir.
Katsuki rosnou ao desafio, saltando alto no ar e se atirando com sua espada contra a besta que cuspia fogo.
Travaram uma longa batalha acirrada. Katsuki já estava se cansando de ter que esquivar do hálito de fogo da besta, mas seus golpes de espada também se mostravam eficientes.
Passados longos minutos, ambos já estavam ofegantes. Katsuki quase desabou de exaustão, usando sua espada como bengala para não se estatelar no chão, caindo sobre o joelho.
Olhando para cima, o jovem guerreiro constatou que bastavam poucos golpes para vencer a besta, mas ele mesmo já estava tão cansado...
- Lutaste bem, jovem guerreiro. - A besta soltou um riso de admiração. - Mas ainda não posso deixar que leve a princesa...
Katsuki preparou-se para se defender quando a besta se ergueu, usando de suas últimas forças para se levantar como um arranha céu, levando a mão atrás de si e alcançando a torre do castelo. Não. Katsuki se surpreendeu, decifrando as ações da besta. Não!
O cavaleiro, com suas últimas forças, deu um último salto no ar, gritando em desespero enquanto a besta quebrava a parede da torre e agarrava a princesa que gritava de medo, então Katsuki teve um último vislumbre de seu lindo rosto emoldurado por cachos verde-escuros antes da besta que a mantinha refém a levar até a boca. NÃO!!!
- Kacchan... - A princesa chorou; foram suas últimas palavras antes de um hálito de fogo a engolir por completo.
Katsuki chorou e gritou à cena: a princesa berrava em agonia ao ter seu corpo frágil incinerado, e foi o último vislumbre que teve de sua princesa antes de perde-la.
.
.
.
Os olhos de Bakugou se abriram com o susto pro mundo real. Se encontrava deitado de costas em sua cama com os olhos já se enchendo de lágrimas. Seu rosto contorceu em agonia; quando estamos meio acordados, pensamentos acabam se tornando sonhos mas, de todos que podia ter, tinha de ser justo aquele?
O garoto explosivo levantou-se num pulo, correndo direto pro seu computador e iniciando-o. Ainda em seu uniforme, se prontificou em fazer a pesquisa limitada que seus recursos lhe permitiam: pesquisou o nome de Izuku em todos os sites, redes sociais e ferramentas de pesquisa que pôde se disponibilizar, só para descobrir que todas as redes sociais do garoto sardento haviam sido "misteriosamente" deletadas. Encontrou também algumas páginas em sites noticiários falando sobre o desaparecimento do mesmo e seus amigos, Uraraka, Iida e Todoroki, haviam criado uma página sobre ele em uma rede social, pedindo que avisassem de qualquer parte do mundo para entrar em contato caso o vissem.
Bakugou não pestanejou, enviando uma mensagem privada para a página perguntando por mais informações no que Uraraka respondeu de prontidão. Checando o horário em seu computador, Bakugou constatou que passava das 11h do Domingo de manhã mas, olhando pela janela, ainda parecia muito cedo, com certeza por causa do tempo nublado que se formava, por isso achava que demoraria a ter uma resposta.
Assim que abriu a mensagem, teve as mesmas informações que sabia desde o começo da semana: Deku não visualizava mais as mensagens nem atendia ligações, como se tivesse sumido do mapa. Aquilo não ajudava.
Tudo bem. Obrigado, mesmo assim.
Enviou a mensagem e estava prestes a desconectar quando viu a garota mandar outra, em seguida.
Espera, por que está fazendo isso?
Suas mãos pairaram sobre o teclado, se mostrando hesitante perante a acusação. Teclou algumas mensagens até chegar numa que parecesse menos hostil.
Prometi a mim mesmo que não vou descansar até trazer nosso raio de sol de volta.
Uraraka levou um tempo até voltar a digitar.
Sei que não é da minha conta, mas você é amigo de infância do Deku, né...? Você tem alguma informação que eu não saiba?
Bakugou estava relutante em contar, mas achou que a melhor amiga do Deku merecesse saber ao menos isso.
O pai dele o sequestrou.
O QUÊ?!!
Por quê?!
Não sabemos, foi o que a tia Inko me falou.
A castanha deixou a informação ser digerida antes de voltar a teclar.
Acha que ele pode machucar o Deku?
Mais uma vez relutante, Bakugou não queria contar aquele detalhe pra garota e preocupa-la ainda mais, mas agora não tinha como voltar atrás.
Não achei que fosse, mas parece que o atacou usando sua individualidade.
Qual a individualidade dele?
Cuspir fogo.
Mais um momento de silêncio do outro lado.
Acha que o Deku está bem?
Bakugou cerrou os dentes. Sabia o que queria dizer com aquilo: queria saber se Deku estava vivo. Não sabia dizer se era porque não acreditava que Hisashi teria coragem de matar o próprio filho ou porque queria acreditar que Deku estivesse realmente vivo, de qualquer jeito, não ia aceitar aquela possibilidade.
Está.
Como pode saber?
A tia Inko disse que o Hisashi o levou para fora do país, não acredito que fosse para se livrar de um corpo.
O silêncio de Uraraka se mostrou preocupante. O loiro ficou um pouco mais aliviado em vê-la teclando novamente.
Ei, Bakugou... eu também quero acreditar nisso, e eu também não vou descansar até encontrá-lo.
Era raro, mas sua mensagem fez um leve sorriso de lado atravessar o rosto do garoto.
Vamos encontrá-lo juntos.
Pode apostar! E, se precisar de ajuda com qualquer coisa, pode me chamar, viu?
Pode deixar, eu te mantenho informada.
Obrigada.
Uma batida à porta fez o garoto pular na cadeira em reflexo, logo ouviu a voz de sua mãe.
- Katsuki...? Posso entrar?
O garoto fitou a porta enraivecido. Sua mãe soava realmente arrependida, mas ainda estava decepcionado por não tê-lo contado sobre o Deku.
- ‘Tô ocupado, vai embora! - Rosnou de volta.
Ouviu Mitsuki suspirar do outro lado e esta abriu a porta mesmo assim para encontrar o olhar ameaçador do filho.
- Querido, eu sei que está preocupado, mas você tem que deixar os heróis e a polícia resolverem isso. Você não tem autoridade para se meter nesse tipo de assunto, se o fizer, vai acabar sobrando para você!
- Eu não ‘tô nem aí para mim! - Bakugou exclamou. - Até a polícia resolver isso, o Deku pode estar morto, já pensou nisso?!
Mitsuki suspirou, Katsuki já estava se emocionando ao julgar pelos seus olhos marejados.
Em um raro momento, sua mãe se aproximou e o abraçou, apertando-o contra o peito.
- Me desculpe. - Os olhos de Katsuki se arregalaram à voz chorosa da mãe. - Eu não queria guardar esse segredo de você, mas também não queria que fizesse nenhuma loucura... Estava tentando te proteger, você entende?
Bakugou enterrou o rosto no peito da mãe, deixando as lágrimas escorrerem e se entregando àquele raro momento entre mãe e filho. Passados alguns minutos, Mitsuki se afastou e ajoelhou em frente a ele.
- Katsuki, querido... eu também estou morrendo de preocupação pelo Izuku, mas tem que deixar as autoridades trabalharem nisso sozinhas. Pode me fazer essa promessa?
- Não dá... - Respondeu ele com voz embargada.
- Katsuki-
- NÃO DÁ!!! - Bakugou berrou, interrompendo-a. – Porque, se eu deixar que alguma coisa aconteça com o Deku, eu nunca vou me perdoar por isso!
- Você não precisa se perdoar, a culpa não é sua. - Mitsuki agarrou seus braços, fitando-o intensamente.
O garoto fechou os olhos e desviou o rosto; ela não entendia. Ao ver que não conseguiria persuadir o filho, Mitsuki suspirou e se levantou devagar.
- Acho que merece um descanso... Venha comer, o almoço está pronto.
Katsuki observou sua mãe se virar e sair do quarto, mas não antes de encara-lo por um instante da porta antes de fecha-la.
Aquilo tudo era uma grande merda e não descansaria até ter Deku de volta mas, no momento, achou melhor escutar sua mãe e descer para almoçar.
- - -
Bakugou mal saiu do quarto o dia inteiro, só para cumprir com suas necessidades básicas. Ficou o tempo todo em frente ao computador, procurando informações e contatando quem pudesse saber de qualquer coisa esclarecedora e a luz do monitor já estava dando-o dor de cabeça, mesmo assim, não desgrudou os olhos da tela em busca de uma migalha de esperança.
Pensou até em sair para procurá-lo em certo ponto, mas sabia que seria em vão, tendo em mente que Deku não se encontrava mais no Japão, por isso resultou em procurar a fundo informações que pudessem dar uma pista sobre seu paradeiro.
Seus pais entraram no quarto algumas vezes para ver se estava tudo bem e constatar que o filho, ao menos, estava respirando e acordado, mas se mostraram preocupados com seu comportamento.
No jantar, Masaru teve de lhe levar um prato pois havia esquecido de se alimentar, mas Katsuki comeu só algumas mordidas para se livrar do pai em seu quarto, visto que nem estava realmente com fome.
Ao dar-lhe boa noite, Mitsuki o pegou ainda acordado em frente ao computador; a cena era de cortar o coração: Katsuki já estava com olheiras profundas, seu cabelo desgrenhado, seus olhos vermelhos e inchados de tanto chorar e já estava ficando pálido. Aquilo não era viver, ele parecia um zumbi, mas sua mãe resolveu não comentar sobre sua aparência, apenas avisou que tinha aula no dia seguinte e tentou mandá-lo pra cama, para a qual arrastou-se relutante. Após garantir que ficaria deitado, Mitsuki se despediu e fechou a porta.
Katsuki não queria dormir por motivos de que, se o fizesse, sabia que teria outra noite turbulenta regada de pesadelos com o Deku, outra porque via aquilo como uma perda de tempo. Precisava encontrá-lo a qualquer custo, e não era dormindo que o faria, mas, com o cansaço que sentia, seu corpo desligou, se entregando a uma noite de sono, como havia previsto, turbulenta e regada de pesadelos.
Nota Autoral
A fic mal começou e eu já estou chorando 🤧 Tive essa ideia baseada numa tirinha q vi de TodoDeku, só ñ esperava q fosse mexer tanto cmg 😅